A possível indicação de profissionais ligados ao debate esportivo e à segurança pública — sendo está última da Globo — ao prêmio de “personalidades do ano” reacende um debate antigo sobre os critérios de reconhecimento no Brasil. Em vez de destacar conquistas técnicas ou impactos concretos na sociedade, a escolha parece cada vez mais alinhada à visibilidade midiática e à capacidade de gerar engajamento, muitas vezes por meio de posicionamentos polêmicos ou alinhados a tendências dominantes.
Críticos apontam que há uma valorização desproporcional de figuras que ganham espaço por forte presença na mídia, enquanto profissionais com resultados práticos e impacto direto acabam ficando à margem. Esse fenômeno levanta questionamentos sobre o papel da imprensa na construção de referências públicas e sobre até que ponto o reconhecimento está ligado ao mérito real ou à narrativa construída.
Casos recentes reforçam essa percepção. Enquanto comentaristas com grande alcance acumulam destaque e premiações, nomes fora do circuito midiático — inclusive da área científica e médica — raramente recebem o mesmo nível de atenção, mesmo quando apresentam contribuições relevantes. A crítica central não é necessariamente sobre quem está sendo indicado, mas sobre quem está ficando de fora — e por quais critérios.







