Presidente manifesta preocupação com apostas online e defende regulamentação urgente.
O atual chefe de Estado, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), voltou a criticar as plataformas de apostas digitais, conhecidas como bets, nesta terça-feira (20), durante evento no Rio Grande do Sul. Segundo o presidente, foi a gestão de Jair Bolsonaro (PL) a responsável por levar um “cassino direto para o interior dos lares” dos brasileiros, ao permitir a expansão dessas plataformas sem controle efetivo.
Em tom duro, Lula afirmou que seu campo político sempre foi contrário aos jogos de azar e lembrou que práticas como o jogo do bicho seguem sendo ilegais, apesar de amplamente difundidas no país. Para ele, o governo anterior teria criado uma contradição ao barrar cassinos físicos enquanto, na prática, permitiu que apostas digitais se espalhassem pelos celulares, alcançando inclusive crianças e adolescentes. O presidente criticou ainda a massiva presença de propagandas de apostas na televisão e em outros meios de comunicação.
O discurso, no entanto, esbarra em um dado central: foi no atual governo que as bets deixaram de operar em um limbo jurídico e passaram a ser oficialmente regulamentadas. A criação de regras, autorizações e tributações não apenas reconheceu a existência do setor, como consolidou sua atuação no mercado brasileiro, dando respaldo legal às empresas e ampliando sua legitimidade institucional.
Embora Lula afirme que a regulamentação seja uma resposta necessária a um problema herdado, críticos apontam que a medida acabou fortalecendo exatamente o mercado que o presidente diz combater. Na prática, o governo transformou uma atividade antes tolerada e pouco fiscalizada em um negócio formalizado pelo Estado, levantando questionamentos sobre a coerência entre o discurso moral e as decisões administrativas adotadas.







