O Partido dos Trabalhadores (PT) se vê diante de um ciclo eleitoral no Nordeste, algo inédito em décadas, marcado por consideráveis incertezas. Há um risco crescente de a legenda perder os quatro governos estaduais que atualmente administra na região: Bahia (BA), Ceará (CE), Piauí (PI) e Rio Grande do Norte (RN). Apesar de 2026 ainda estar distante, levantamentos recentes e articulações políticas já sinalizam um alerta dentro da sigla.
Na Bahia, estado que por muito tempo foi um pilar do PT no Nordeste, a oposição tem ganhado força, tornando a disputa mais acirrada. Após um período de forte domínio petista, apoiadores do ex-prefeito ACM Neto buscam reconquistar espaço e mostram-se competitivos nas primeiras análises eleitorais. No Ceará, desentendimentos políticos entre grupos aliados e a ascensão do bloco ligado aos Ferreira Gomes criaram um ambiente de maior imprevisibilidade. A oposição tenta se aproveitar das divisões internas para enfraquecer a tradicional influência do PT e seus parceiros.
No Rio Grande do Norte, a sucessão da governadora Fátima Bezerra representa um dos maiores obstáculos para o partido. O nome indicado pelo governo para 2026, Cadu Xavier, ainda precisa ampliar seu reconhecimento popular, enquanto figuras da oposição já aparecem com boas chances nas pesquisas iniciais. No Piauí, embora o governador Rafael Fonteles mantenha índices de aprovação positivos, adversários buscam levar a discussão para o âmbito nacional e fortalecer um grupo que se oponha ao PT, aproveitando o avanço da direita no estado.
Diante desse panorama, o PT continua a enfrentar dificuldades eleitorais no Nordeste, em parte devido a escândalos envolvendo seus membros. Internamente, lideranças petistas admitem que as eleições de 2026 podem ser as mais desafiadoras para o partido na região desde o início de sua ascensão nos governos estaduais.







