A aprovação da PEC que prevê o fim da escala 6×1 tem gerado alertas de diversos setores da economia sobre possíveis impactos nos custos operacionais. No transporte público urbano, a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) estima que a mudança poderá elevar as tarifas de ônibus em até 8%. Dados do Ipea apontam que o transporte terrestre está entre os setores mais sensíveis à redução da jornada de trabalho, com potencial aumento de até 8,77% no custo por hora trabalhada.
Segundo a NTU, simulações indicam que a adoção da escala 5×2 elevaria os custos de mão de obra entre 13% e 15%. Como os gastos com pessoal representam de 45% a 50% do custo total da operação, o impacto final poderia resultar em reajustes tarifários entre 6,5% e 7,5%, chegando a 8% em algumas cidades. A entidade ressalta que o setor emprega cerca de 1,78 milhão de trabalhadores formais e que mudanças na jornada afetam diretamente a estrutura de custos e a oferta do serviço.
A advogada trabalhista Fernanda Miranda destaca, porém, que eventuais aumentos não seriam automáticos. Como o transporte coletivo é um serviço público concedido, reajustes dependem de análise do poder público, que pode autorizar aumento de tarifa, ampliar subsídios ou adotar medidas combinadas para preservar o equilíbrio dos contratos. Outros setores também projetam impactos. Estudo da Fipe encomendado pela Associação dos Hospitais e Serviços de Saúde do Estado de São Paulo estima aumento de até 8,4% nos custos do trabalho na saúde, com impacto anual entre R$ 7,7 bilhões e R$ 19 bilhões. Representantes da indústria, do comércio, do agronegócio e do transporte também defendem alternativas à proposta, argumentando que a redução da jornada pode elevar custos operacionais e pressionar preços ao consumidor em diferentes segmentos da economia.







