Uma frase frequentemente atribuída ao antropólogo, educador e ex-senador Darcy Ribeiro voltou a circular nas redes sociais nos últimos dias e reacendeu debates sobre a participação popular na política brasileira. A declaração, que afirma que “o problema não é a corrupção dos políticos, é a passividade do povo”, tem sido compartilhada por usuários de diferentes correntes ideológicas para criticar o comportamento do eleitorado diante dos sucessivos escândalos envolvendo autoridades públicas.
Para muitos internautas, a frase resume um dos principais problemas da democracia brasileira: a tendência de grande parte da população em demonstrar indignação momentânea diante de denúncias de corrupção, mas continuar apoiando os mesmos grupos políticos nas eleições seguintes. Segundo essa visão, políticos apenas refletem a sociedade que os elege e mantém no poder.
Críticos do atual cenário político afirmam que o Brasil vive um ciclo repetitivo em que escândalos são rapidamente substituídos por novas pautas, enquanto cobranças por transparência, eficiência e responsabilidade acabam ficando em segundo plano. Para eles, a falta de pressão popular constante contribui para que práticas questionáveis continuem acontecendo independentemente de qual partido esteja governando.
Por outro lado, especialistas destacam que o combate à corrupção depende não apenas da vigilância da população, mas também do fortalecimento das instituições, da liberdade de imprensa, da atuação dos órgãos de controle e da educação política dos cidadãos.
Mesmo décadas após sua morte, Darcy Ribeiro continua sendo lembrado por reflexões que provocam discussões sobre o futuro do país. Nas redes sociais, a frase voltou a ganhar força justamente por tocar em uma questão que permanece atual: até que ponto os problemas da política brasileira são responsabilidade apenas dos governantes ou também da postura adotada pela própria sociedade diante deles?







