A decisão da Justiça do Rio de Janeiro que concedeu perdão judicial a Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, provocou forte repercussão e reacendeu o debate sobre responsabilidade, justiça e proteção à infância. Durante o julgamento, a juíza Elizabeth Machado Louro entendeu que Monique já havia sofrido consequências severas ao longo dos últimos anos e apontou que a acusada foi alvo de julgamentos marcados por preconceitos de gênero e cobranças sociais direcionadas às mulheres.
A magistrada argumentou que a sociedade costuma exigir da mulher o papel de “mãe perfeita” e afirmou que, em situação semelhante, um pai poderia não ter recebido o mesmo tratamento. Com base nesse entendimento, concedeu o perdão judicial após a desclassificação da acusação para homicídio culposo.
A decisão, porém, foi recebida com indignação por familiares de Henry. O pai do menino, Leniel Borel, declarou que o perdão judicial representou uma “terceira morte” do filho, demonstrando profunda revolta com o desfecho do caso. A fala repercutiu nas redes sociais, onde milhares de pessoas manifestaram apoio à família e questionaram o resultado do julgamento.
Enquanto isso, o ex-vereador Jairinho, apontado como responsável pelas agressões que levaram à morte de Henry, permanece condenado a mais de 43 anos de prisão.
O caso continua dividindo opiniões. De um lado, há quem considere que a decisão respeitou critérios técnicos do Direito. De outro, muitos brasileiros afirmam que o sentimento de justiça ficou comprometido diante da gravidade dos fatos e do impacto que a tragédia teve sobre a sociedade.
Nas redes sociais, a frase de Leniel Borel se tornou símbolo da indignação de quem acredita que o encerramento do processo não trouxe a sensação de justiça esperada para a memória de Henry.







