A polêmica envolvendo o programa Mais Médicos voltou ao centro do debate internacional após críticas recentes feitas por autoridades dos Estados Unidos. O foco das acusações não está diretamente no objetivo do programa — levar atendimento médico a regiões carentes —, mas sim no modelo de contratação de profissionais cubanos adotado em fases anteriores e em parte retomado.
Autoridades americanas, incluindo membros do Congresso e o Departamento de Estado, classificam esse modelo como potencialmente abusivo. As críticas apontam que o governo cubano ficaria com a maior parte dos salários pagos pelo Brasil, repassando apenas uma parcela aos médicos. Além disso, há relatos de restrições à liberdade desses profissionais, como vigilância constante, retenção de documentos e penalidades em caso de desistência da missão.
Em resposta, o governo brasileiro contesta essas acusações. A gestão do presidente Lula argumenta que o programa tem caráter humanitário e é essencial para garantir atendimento em áreas onde há escassez de médicos. Também classifica as medidas adotadas pelos Estados Unidos — como sanções e restrições de visto a autoridades brasileiras ligadas ao programa — como injustificadas e de motivação política.
Criado em 2013, durante o governo Dilma Rousseff, o Mais Médicos surgiu para ampliar o acesso à saúde em regiões vulneráveis. Ao longo dos anos, passou por reformulações e hoje prioriza a contratação de médicos brasileiros ou com registro profissional no país, embora a cooperação internacional ainda faça parte do modelo.
Esse impasse evidencia uma tensão diplomática maior entre Brasil e Estados Unidos, envolvendo não apenas questões trabalhistas e de direitos humanos, mas também diferenças de visão política e estratégica sobre cooperação internacional na área da saúde.







