Organizações criminosas como o PCC e o CV estão sendo reconhecidas internacionalmente como verdadeiras máfias. Os Estados Unidos já as classificaram como terroristas estrangeiras, enquanto a Itália aplica leis antimáfia contra seus membros. Diversas entidades internacionais agora as tratam como estruturas criminosas transnacionais, equiparando-as às maiores organizações mafiosas do planeta.
No entanto, no Brasil, uma parcela da classe política tem manifestado indignação, não contra a atuação dessas facções, mas sim contra essa classificação global. O argumento frequentemente levantado é que tal reconhecimento internacional seria uma “ameaça à soberania”. Muitos questionam: desde quando o combate a grupos criminosos transnacionais se tornou um ataque à soberania nacional?
Atualmente, o PCC e o CV dominam regiões, controlam comunidades, movimentam bilhões, operam rotas internacionais, realizam lavagem de dinheiro, exercem poder paralelo e mantêm conexões com redes mafiosas globais. Na Itália, são considerados máfia; nos EUA, narcoterrorismo. A resistência política no Brasil em aceitar oficialmente essa realidade levanta uma questão crucial: o receio é realmente combater o crime, ou expor as complexas ramificações financeiras e políticas que o sustentam?
Enquanto outros países intensificam o combate a essas facções, Brasília parece mais preocupada com as implicações diplomáticas da classificação do que com o crescimento do crime organizado dentro de suas próprias fronteiras. O debate transcendeu a segurança pública, tornando-se uma disputa internacional por dinheiro, influência, poder político e a real extensão das conexões do crime organizado brasileiro. Quando nações como EUA e Itália enxergam PCC e CV como ameaças globais, fica claro que o problema já ultrapassou as fronteiras do Brasil há muito tempo.







