Se você pensava que o cenário de violência no Rio de Janeiro não poderia ficar mais surreal, prepare-se para uma atualização digna de roteiro de filme B. Vídeos chocantes e relatos da mídia carioca confirmam uma nova e perturbadora tática de tortura e intimidação empregada por facções criminosas: o uso de jacarés.
Relatórios recentes, incluindo os divulgados por programas como o Balanço Geral RJ da Record Rio, revelam cenas de terror onde moradores são forçados por traficantes do Comando Vermelho (CV) a entrar em “valões” – canais de esgoto – em áreas como a Gardênia Azul. O detalhe macabro? Essas regiões são conhecidas pela presença frequente de jacarés, e os criminosos exploram esse fato para infligir tortura psicológica às vítimas, gravando as cenas para amplificar o terror.
Não se trata de incidentes isolados. A inteligência da polícia e reportagens de veículos como a Band News e a Jovem Pan corroboram que facções como o CV têm utilizado esses répteis de forma sistemática. Os jacarés servem não apenas para intimidar moradores e torturar rivais, mas também, em um cenário ainda mais sombrio, para auxiliar na ocultação de cadáveres. Uma solução “ecológica” e aterrorizante para os problemas do tráfico.
As áreas identificadas onde essas práticas ocorrem incluem, além da Gardênia Azul, o Complexo da Penha, o Mandela (em Manguinhos) e o Complexo da Maré. A polícia tem agido, embora a dimensão do problema seja alarmante. Em julho de 2025, a Polícia Civil (PCERJ) apreendeu um filhote de jacaré que estava sendo mantido por traficantes na comunidade do Mandela. Outras apreensões de animais semelhantes já haviam sido realizadas em anos anteriores, como a de um jacaré que pertencia a um traficante conhecido como “Motoboy”.
E, como se não bastasse o terror, há também o lado da ostentação. Em algumas favelas, como no Complexo da Serrinha (controlado por uma facção rival), o jacaré transcende o papel de ferramenta de intimidação e se torna um símbolo de status. Chefes do tráfico utilizam o animal como referência à famosa marca Lacoste, transformando o réptil em um ícone de poder e riqueza dentro da hierarquia criminosa. Assim, o jacaré, de predador natural, é cooptado pelo submundo do crime, tornando-se um protagonista inusitado e assustador na paisagem urbana do Rio de Janeiro.







