O Brasil enfrenta a mais severa crise empresarial de sua história recente, evidenciada não por dados econômicos, mas pelas longas filas de brasileiros em Ciudad del Este, Paraguai, buscando autorizações de residência.
No fechamento de 2025, o país contabilizou 5.680 empresas em recuperação judicial, um aumento de 24,3% comparado ao ano anterior. As projeções para 2026 são ainda mais preocupantes. A confluência de juros elevados, acesso restrito ao crédito e instabilidade política cria um cenário desafiador, especialmente para o agronegócio e pequenos negócios.
O principal motivo para essa migração é fiscal. Em 2025, o Paraguai concedeu mais de 40 mil autorizações de residência, com brasileiros representando mais da metade. Somente nos três primeiros meses de 2026, foram emitidas 9,2 mil novas permissões. O Paraguai atrai com seu sistema tributário 10-10-10, onde impostos-chave têm alíquota de 10%, além de energia de baixo custo e leis trabalhistas mais flexíveis.
A escolha de migrar não reflete falta de patriotismo, mas sim a resposta lógica a um sistema que penaliza a produção. Não é que o Paraguai seja excessivamente atraente; é o Brasil que se tornou proibitivamente caro para empreender, forçando muitos a buscar alternativas além das fronteiras.







