A carne de paca ilustra bem a ascensão do setor de carnes exóticas no Brasil. Sua comercialização, permitida apenas para criadouros legalizados, a posiciona ao lado de javali, jacaré e avestruz num nicho de mercado ainda modesto, mas com potencial. Embora o país produza mais de 30 milhões de toneladas de carne anualmente, essas opções singulares representam uma fatia ínfima, contudo, seus valores podem oscilar entre R$ 80 e R$ 400 por quilo.
A oferta restrita, produção fiscalizada e uma cadeia de suprimentos enxuta elevam os preços, distanciando essas carnes da concorrência com as tradicionais. O consumo, portanto, é esporádico, ligado a eventos especiais e ao valor agregado que elas proporcionam.
O principal entrave para a expansão desse mercado é a rigorosa regulamentação. A venda exige criadouros licenciados e total rastreabilidade, o que limita severamente a escala de produção. Paralelamente, a informalidade persiste, distorcendo preços e oferta, e dificultando o desenvolvimento formal do setor.
No entanto, uma transformação já é perceptível: o Brasil caminha para substituir a informalidade por um modelo produtivo e regulado. Nesse novo cenário, a carne exótica perde seu caráter marginal e se estabelece como um produto de nicho, com chances de crescimento atreladas à ampliação da oferta legal.
– farialimanews







