Percepção de impunidade e altos lucros alimentam indignação social.
A ideia de que “o crime compensa” transcendeu um mero ditado popular, tornando-se uma crença generalizada na sociedade brasileira. Essa percepção se solidificou devido ao sentimento de impunidade, onde prisões policiais frequentemente não resultam em condenações duradouras.
A revolta pública cresce ao se analisar o retorno financeiro de atividades ilegais. Levantamentos apontam que a média salarial mensal de um criminoso atinge cerca de R$ 46.333,00. No caso específico do tráfico de drogas, traficantes podem auferir aproximadamente R$ 58.583,33 por mês, um valor muito superior ao que a maioria dos trabalhadores brasileiros consegue.
Esses números são frutos de pesquisas coordenadas pelo economista Pery Shikida. Em um artigo acadêmico, em coautoria com Mauro Salvo, que será lançado em um livro sobre “narcocultura”, demonstra-se que a renda mensal média de um traficante é 26,4% maior do que a de outros criminosos envolvidos em crimes patrimoniais lucrativos. Essa remuneração excede, de longe, os salários de muitos servidores públicos, evidenciando o alto ganho financeiro da atividade criminosa, mesmo com os riscos inerentes. Tal cenário gera grande frustração, especialmente para o trabalhador honesto que não alcança essa quantia nem com um ano inteiro de esforço.







