A recente denúncia envolvendo o professor Sandro dos Santos Pereira, acusado de abuso sexual contra alunos surdos, gerou revolta e indignação — como é esperado em um caso dessa gravidade. No entanto, o que também chamou atenção foi a rapidez com que setores da esquerda tentaram transformar o episódio em uma narrativa política, ligando diretamente o crime ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O argumento utilizado nas redes sociais segue uma lógica questionável: por o acusado ter atuado como intérprete de Libras em um evento oficial em 2019, durante a posse presidencial, isso seria suficiente para associar o crime ao então chefe do Executivo. Essa tentativa de conexão ignora um ponto básico: a responsabilidade criminal é individual. Não há qualquer evidência de relação direta entre Bolsonaro e os atos investigados, tampouco de conhecimento prévio sobre o comportamento do acusado.
Esse tipo de abordagem levanta um debate importante sobre a manipulação de notícias. Em vez de focar na gravidade das denúncias, na proteção das vítimas e na responsabilização do suspeito, parte do debate público é desviada para disputas ideológicas. O resultado é uma distorção do caso, onde o crime em si perde espaço para narrativas políticas que buscam gerar engajamento e reforçar posições pré-existentes.
Casos como esse exigem seriedade e responsabilidade na apuração e na divulgação das informações. Transformar um crime grave em instrumento de ataque político não contribui para a justiça, nem para a sociedade — apenas alimenta polarizações e prejudica o entendimento dos fatos.







