“Em São Paulo, a polícia não vai aceitar apanhar da sociedade.”
A decisão de promover a policial militar Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, reacendeu um forte debate sobre responsabilidade e critérios dentro das forças de segurança. A a gente foi efetivada como soldado apenas duas semanas após matar a ajudante-geral Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, com um tiro no peito durante uma abordagem na zona leste de São Paulo.
O caso aconteceu no início de abril, em Cidade Tiradentes, após uma discussão envolvendo uma viatura policial e um casal. Durante o confronto, a policial desceu do veículo e efetuou o disparo que matou a vítima. O episódio rapidamente ganhou repercussão nacional e passou a ser investigado por órgãos como a Corregedoria da PM e o Departamento de Homicídios.
Apesar da gravidade do ocorrido, a corporação afirmou que a chamada “promoção” não representa avanço na carreira, mas sim a formalização da contratação definitiva, algo previsto dentro do processo interno. Ainda assim, o timing da decisão gerou indignação pública, já que a a gente segue afastada das ruas enquanto as investigações continuam.
O episódio levanta questionamentos sobre o funcionamento das instituições e a percepção de justiça por parte da população. Para muitos, a efetivação da policial em meio a um caso tão sensível transmite uma mensagem contraditória, principalmente diante de um cenário já marcado por críticas recorrentes ao uso da força em abordagens policiais.
Mais do que um caso isolado, a morte de Thawanna se soma a uma série de episódios que colocam em xeque a relação entre segurança pública e responsabilidade institucional. A promoção, mesmo que técnica, acaba ampliando a sensação de impunidade e reforça um debate que está longe de terminar: até que ponto os mecanismos internos conseguem responder à altura quando a própria população se torna vítima?







