Uma nova cobrança pode estar prestes a cair no colo dos motoristas brasileiros. Tramita no Congresso um projeto de lei que cria a vistoria veicular anual obrigatória para automóveis com mais de cinco anos de uso. Caso avance, a medida atingirá milhões de proprietários em todo o país, especialmente aqueles que dependem de veículos antigos para trabalhar e se locomover. A proposta teve como relator o deputado Cezinha Madureira (PSD-SP) e vem sendo apresentada sob o argumento de reforçar a segurança no trânsito.
Na prática, porém, o discurso técnico esbarra na realidade social. Carros mais antigos são, majoritariamente, utilizados por famílias de menor renda, que já enfrentam dificuldades para arcar com IPVA, licenciamento, combustível e manutenção básica. A vistoria anual abre espaço para novas taxas, reprovações por falhas simples, exigência de reparos imediatos e até multas, criando um ciclo de gastos que pesa justamente sobre quem não tem alternativa para trocar de veículo. O risco é transformar um instrumento de fiscalização em mais uma engrenagem de punição financeira.
Para muitos brasileiros, a proposta soa como arrecadação disfarçada em um país onde a carga tributária já sufoca o orçamento doméstico. Em vez de políticas que renovem a frota com incentivos reais ou melhorem as condições das vias, opta-se por transferir o custo ao cidadão comum. Não surpreende que o tema esteja gerando revolta nas redes sociais: quando o Estado escolhe fiscalizar mais quem tem menos, a conta fecha para o governo, mas explode no bolso do pobre.







