Consumidores têm relatado mudanças discretas em produtos tradicionais nas prateleiras dos supermercados. Em alguns casos, embalagens permanecem praticamente idênticas, o peso continua o mesmo e o preço sofre pouca ou nenhuma alteração. A diferença, porém, estaria na composição.
Nas redes sociais, comparações entre rótulos antigos e novos mostram produtos que antes eram vendidos como leite condensado sendo substituídos por misturas lácteas condensadas, contendo ingredientes como soro de leite e amido. O fenômeno tem sido chamado de “skimflation”, termo utilizado para descrever a redução da qualidade ou a alteração da composição de produtos sem uma redução proporcional no preço.
Críticos do governo afirmam que a persistência da inflação nos alimentos e a perda do poder de compra das famílias estariam levando a indústria a reformular produtos para conter custos de produção. Segundo essa visão, em vez de diminuir a quantidade nas embalagens, algumas empresas estariam optando por substituir ingredientes mais caros por alternativas mais baratas.
Por outro lado, especialistas apontam que a reformulação de produtos também pode decorrer de fatores como oscilações no preço das commodities, aumento de custos logísticos, mudanças regulatórias e estratégias comerciais das próprias empresas, não podendo ser atribuída exclusivamente a um único governo.
Para muitos consumidores, no entanto, a sensação é de que o produto continua com a mesma aparência, mas já não oferece o mesmo sabor e a mesma qualidade de antes, reforçando a percepção de que o custo de vida continua pressionando o orçamento das famílias brasileiras.







