A aprovação do projeto que equipara a misoginia ao crime de racismo reacendeu debates intensos no Brasil — e ganhou ainda mais força após a repercussão de declarações da deputada Érika Hilton sobre linguagem de gênero.
Um vídeo que voltou a circular nas redes mostra a parlamentar respondendo diretamente a uma mulher durante uma discussão. Na ocasião, Hilton afirma: “pessoas que gestam, esses são os termos que eu uso, goste a senhora ou não”, defendendo o uso da expressão em vez de “mulheres” em determinados contextos. A fala foi feita em tom firme, direcionada a outra interlocutora, e rapidamente viralizou.
A repercussão reacendeu críticas de setores que enxergam uma contradição: enquanto o Congresso avança no endurecimento contra ataques às mulheres, discursos que substituem o termo “mulher” por expressões biológicas ou neutras continuam sendo defendidos por parte da classe política. Para esses críticos, isso representaria uma forma indireta de esvaziar a identidade feminina.
Já apoiadores da deputada argumentam que a expressão busca incluir pessoas trans e outras realidades biológicas, ampliando o alcance das políticas públicas sem excluir mulheres. Segundo essa visão, trata-se de uma adaptação de linguagem, e não de uma redução.
O episódio evidencia o choque entre diferentes agendas dentro do próprio campo progressista. De um lado, o fortalecimento de leis mais rígidas contra discriminação; de outro, disputas sobre linguagem e identidade que continuam dividindo opiniões — inclusive entre mulheres.







