Uma reportagem exibida pelo Jornal da Globo ao defender o consumo de arroz com ovo como alternativa “mais nutritiva” do que a carne vermelha provocou críticas e reacendeu o debate sobre o custo de vida no Brasil. Para muitos, o discurso não surge por acaso, mas em um momento em que a carne se tornou inacessível para grande parte da população, pressionada por uma inflação persistente que corrói o poder de compra das famílias.
Críticos apontam que, ao destacar comparações nutricionais isoladas, parte da grande mídia — especialmente veículos digitais alinhados ao governo — tenta suavizar a percepção da alta dos preços e normalizar a substituição forçada de alimentos básicos. Embora arroz e ovo sejam, de fato, fontes importantes de nutrientes, o problema não está na escolha alimentar em si, mas na tentativa de vendê-la como opção superior enquanto a carne vermelha desaparece da mesa por falta de dinheiro, não por decisão consciente do consumidor.
O discurso, segundo opositores, acaba funcionando como uma maquiagem estatística da realidade econômica: em vez de enfrentar as causas do encarecimento dos alimentos, transfere-se ao cidadão a responsabilidade de “se adaptar” à perda de poder aquisitivo. Nesse contexto, a mensagem passa a ideia de que comer menos carne seria um avanço nutricional, quando, para milhões de brasileiros, é apenas o reflexo de uma inflação que não dá trégua e de um governo incapaz de conter o aumento do custo de vida.
Para esses críticos, a função do jornalismo deveria ser expor as razões pelas quais itens básicos se tornaram luxo, e não convencer a população de que abrir mão deles é, na verdade, algo positivo.







