Mulheres transexuais custodiadas na Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF), conhecida como Colmeia, denunciaram casos de violência sexual, agressões, ameaças e tortura dentro da unidade prisional. As denúncias envolvem presos cisgêneros que, segundo os relatos, teriam se declarado mulheres trans para conseguir transferência ao presídio feminino.
O caso expôs um cenário complexo e marcado por duas linhas de denúncias simultâneas. De um lado, entidades de direitos humanos, como a ANTRA, afirmam que mulheres trans e travestis estariam sofrendo violência institucional, agressões físicas, ofensas transfóbicas e violações de direitos humanos dentro da unidade. A associação acionou oficialmente órgãos federais cobrando providências urgentes e investigações sobre os relatos.
Por outro lado, cartas divulgadas por presas cisgênero da ala provisória da Colmeia apontam denúncias de assédio, ameaças, abusos e perda de privacidade dentro das celas compartilhadas. As detentas alegam que alguns homens cisgênero estariam utilizando a autodeclaração de identidade de gênero apenas para conseguir transferência ao presídio feminino.
O debate ganhou ainda mais repercussão após dados apontarem que, das 86 detentas autodeclaradas trans na unidade, 85 teriam realizado a mudança de gênero após o início do processo judicial, levantando questionamentos e suspeitas de possíveis fraudes para obtenção de vantagens dentro do sistema prisional.
Diante das denúncias de ambos os lados, parlamentares, entidades de direitos humanos e órgãos públicos passaram a cobrar investigações da Secretaria de Administração Penitenciária e do Ministério Público do Distrito Federal para apurar os fatos e garantir a segurança e integridade de todas as pessoas envolvidas.






