Um estudo divulgado pela organização Fian Brasil revelou que lares chefiados por mulheres negras das regiões Norte e Nordeste registram os maiores índices de insegurança alimentar grave no país.
A pesquisa, intitulada *As faces da desigualdade: raça, sexo e alimentação no Brasil (2017-2023)*, mostra que a fome atinge de maneira desigual diferentes grupos sociais, sendo mais intensa entre famílias lideradas por mulheres negras.
Segundo o levantamento, 38,5% dos domicílios chefiados por mulheres negras convivem com algum grau de insegurança alimentar. O índice é superior ao registrado em lares comandados por homens negros (28,9%), mulheres brancas (22,2%) e homens brancos (15,7%).
Nas regiões Norte e Nordeste, a situação é ainda mais crítica. Quase metade dos lares chefiados por mulheres negras enfrentava insegurança alimentar em algum nível, com índices de 46,3% e 45,7%, respectivamente.
O estudo também aponta que a insegurança alimentar é mais frequente na zona rural do que nas áreas urbanas, reforçando a necessidade de políticas públicas voltadas ao campo e às populações mais vulneráveis.
Outro dado destacado pela pesquisa mostra que, mesmo entre trabalhadores formais, mulheres negras ainda enfrentam níveis de insegurança alimentar semelhantes aos de homens brancos em empregos informais.
As autoras do levantamento afirmam que desigualdades raciais, sociais e econômicas influenciam diretamente o acesso à alimentação de qualidade no Brasil. Segundo elas, fatores como mercado de trabalho, renda e localização geográfica impactam fortemente a segurança alimentar das famílias.
A professora Rute Costa, uma das responsáveis pelo estudo, afirmou que políticas públicas sociais tiveram papel importante na redução recente da fome no país. Ela citou medidas como o fortalecimento do Bolsa Família e a retomada do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea).
O levantamento analisou o período anterior à saída do Brasil do Mapa da Fome da ONU, anunciada em 2025. Segundo dados oficiais, a insegurança alimentar grave caiu de 15,5% em 2022 para 4,1% em 2023.







