Pela primeira vez em décadas, o ano letivo começou sem livros didáticos em Braille para cerca de 45 mil estudantes cegos ou com baixa visão da rede pública. O episódio, já chamado de “braille zero”, escancara o abandono da educação inclusiva e expõe a incapacidade do Ministério da Educação de garantir o mínimo a alunos que dependem desse material para aprender a ler, escrever e acompanhar as aulas.
A ausência dos livros atinge crianças, jovens e adultos, inclusive estudantes da Educação de Jovens e Adultos, e compromete diretamente o aprendizado desde os primeiros dias de aula. Especialistas alertam que a falta de acesso ao Braille não é um simples atraso logístico, mas um prejuízo pedagógico grave, que pode gerar perdas irreversíveis no desenvolvimento educacional desses alunos.
O mais alarmante é que o custo para atender toda a demanda representa uma fração mínima do orçamento bilionário destinado à compra de livros didáticos no país. Ainda assim, não houve cronograma claro, explicação convincente nem solução imediata apresentada pelo governo. O próprio instituto federal responsável pela educação de pessoas com deficiência visual confirmou que 2026 será um ano sem distribuição de livros em Braille.







