O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), utilizou uma analogia contundente para responder às recentes provocações e paródias de Romeu Zema (Novo). Em entrevista ao Metrópoles na quinta-feira (23), o magistrado levantou a questão se o pré-candidato à Presidência ficaria ofendido caso os papéis fossem invertidos.
“Imaginem se começarmos a retratar o Zema como homossexual. Não seria ofensivo? E se o representarmos subtraindo recursos do Estado, isso não é ofensivo? É aceitável brincar com tais temas?”, indagou Gilmar. Esta declaração surge como resposta a um vídeo divulgado por Zema na semana anterior, que mostrava fantoches de Gilmar e Dias Toffoli em um diálogo satírico sobre o Banco Master.
A fala de Gilmar Mendes rapidamente se tornou um ponto de ataque para a oposição. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) destacou a entrevista e criticou: “Ué, não vão classificar isso como homofobia?”. O ex-governador mineiro compartilhou o post de Nikolas, endossando a crítica. Zema tem intensificado seus ataques ao STF, publicando mais de dez mensagens críticas à Corte e seus ministros nos últimos dias, sob a justificativa de liberdade de expressão.
A controvérsia não se limitou a ofensas pessoais. Gilmar Mendes já solicitou formalmente a inclusão de Zema no inquérito das fake news, conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes. O decano argumenta que o ex-governador cometeu “notícia-crime” ao tentar denegrir a honra dos magistrados e a imagem institucional do Supremo. Em outra entrevista na quarta-feira (22), Gilmar chegou a ironizar a forma de falar de Zema, sugerindo que a Polícia Federal e a PGR analisem suas declarações “naquilo que for compreensível”. O ministro concluiu que críticas políticas são válidas, mas ofensas que ultrapassam o debate público serão respondidas judicialmente pelo “Estado de Direito”.







