Família Vorcaro ligada a projeto de R$ 45,5 bilhões com terras públicas na Amazônia.
Novas informações indicam que o pai e a irmã do banqueiro Daniel Vorcaro são os financiadores por trás de um empreendimento de créditos de carbono avaliado em R$ 45,5 bilhões, que envolve terras públicas. A apuração do “Caso Master” revelou que a Alliance Participações, controlada pelos Vorcaro, possui 80% dos direitos de exploração da Fazenda Floresta Amazônica, localizada em Apuí (AM). Este projeto está agora sob investigação da Polícia Federal, sendo considerado um dos maiores escândalos ambientais e financeiros do Brasil.
O esquema, descrito como uma “ciranda financeira”, visava inflar patrimônios artificialmente. O projeto se baseia em 143,9 mil hectares pertencentes à União e destinados à reforma agrária, com o Incra confirmando a irregularidade de qualquer comercialização no local. Em vez de créditos de carbono legítimos, baseados em redução de emissões, o plano utilizava “unidades de estoque” – estimativas teóricas de carbono sem valor de mercado. As empresas Global Carbon e Golden Green viram seus valores dispararem para R$ 45,5 bilhões sem vender um único crédito, o que serviu para aumentar o patrimônio de fundos geridos pela Reag, permitindo ao Banco Master continuar suas operações.
Em 2021, empresas sem lastro já registravam valores bilionários. Em 2023, a Alliance Participações, da família Vorcaro, assumiu 80% do negócio. Em 2024, foi revelado que a área pertence à União e que a metodologia de cálculo era meramente teórica. A Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal em 2025, investiga lavagem de dinheiro relacionada ao caso. Embora Daniel Vorcaro negue envolvimento, documentos mostram a participação direta de seus familiares na Alliance. Este episódio serve como um alerta para o setor florestal sobre os perigos do “Greenwashing” e a necessidade de auditorias rigorosas que validem não apenas os cálculos de carbono, mas também a legalidade da posse da terra.







