Documentos revelados pela agência Reuters mostraram que o líder norte-coreano Kim Jong-un e seu pai, Kim Jong-il, utilizaram passaportes brasileiros falsos durante a década de 1990. Os documentos teriam sido emitidos de forma irregular na embaixada brasileira em Praga, então parte da antiga Tchecoslováquia, e serviriam para facilitar pedidos de vistos e deslocamentos internacionais em meio ao isolamento da Coreia do Norte.
Segundo a reportagem, os passaportes apresentavam identidades falsas, mas continham fotografias dos dois líderes norte-coreanos. As investigações indicam que os documentos foram utilizados como parte de uma estratégia para permitir viagens ao exterior sem despertar suspeitas, em um período marcado por dificuldades econômicas e diplomáticas enfrentadas pelo regime de Pyongyang.
Na época, o passaporte brasileiro era considerado um dos mais úteis para esse tipo de fraude. Especialistas ouvidos pela Reuters apontaram que a grande diversidade étnica da população brasileira dificultava a identificação de inconsistências físicas dos portadores, além de o documento não despertar o mesmo nível de suspeita que passaportes de países envolvidos em conflitos ou tensões internacionais.
A revelação chamou atenção internacional por mostrar como integrantes da elite do regime norte-coreano buscavam meios de circular pelo mundo enquanto a população do país enfrentava severas restrições. O caso também levantou questionamentos sobre falhas de segurança na emissão de documentos diplomáticos brasileiros durante aquele período.
Apesar da repercussão, não há indícios de participação do governo brasileiro na fraude. As informações apontam que os passaportes foram obtidos de forma ilegal por meio de um esquema que envolvia documentos falsificados e irregularidades administrativas na representação diplomática brasileira em Praga.







