Desde 1º de janeiro de 2026, a China estabeleceu um teto anual de 1,106 milhão de toneladas para a importação de carne bovina do Brasil com isenção de tarifas. Volumes que ultrapassarem essa cota sofrerão um acréscimo de 55% no imposto, uma medida de proteção que durará três anos e afeta diretamente o principal fornecedor do mercado chinês.
O Brasil normalmente exporta cerca de 1,5 milhão de toneladas de carne bovina para a China anualmente. Isso significa que uma parcela considerável desse total será submetida à taxa extra, prejudicando a competitividade do produto brasileiro. Em maio, o governo chinês já indicou que cerca de metade da cota de 2026 havia sido preenchida, e especialistas preveem que o limite pode ser atingido já em meados do ano.
Apesar das projeções de uma possível redução de até 10% nas exportações de carne bovina em 2026 e do risco de interrupção de envios para a China no segundo semestre, a postura oficial em Brasília tem minimizado a situação, sugerindo que é manejável por meio de negociações e busca por novos mercados. No entanto, a realidade imediata é que a carne que excede o limite enfrenta uma sobretaxa significativa de 55%.
Nos bastidores, o governo Lula tenta negociar com Pequim para ampliar o volume isento a partir de 2027 e suavizar as condições de salvaguarda. Contudo, até o momento, a regra permanece inalterada: a cota de 1,106 milhão de toneladas com tarifa reduzida e a sobretaxa de 55% sobre o excedente continuam válidas. Frigoríficos e pecuaristas expressam preocupação com a pressão sobre os lucros e a dificuldade de redirecionar rapidamente a carne que hoje depende do mercado chinês. Para a economia brasileira, isso implica que o maior comprador de carne bovina do país se tornou mais caro e restrito para os produtores, o que pode diminuir a entrada de dólares do setor, impactar empregos e influenciar o equilíbrio entre exportação e consumo interno.







