A aprovação de um projeto que libera a troca de faróis originais por lâmpadas LED acende um alerta que vai muito além da modernização da frota. Embora a proposta, relatada pelo deputado Zé Trovão, seja vendida como avanço tecnológico e ganho de segurança, especialistas já apontam riscos claros de efeito contrário nas ruas.
Na prática, a substituição de lâmpadas sem o conjunto óptico adequado pode provocar ofuscamento em outros motoristas, aumentando o risco de acidentes, principalmente à noite. Não é raro ver veículos com adaptações irregulares que transformam o farol em um verdadeiro “holofote”, prejudicando a visibilidade de quem vem no sentido contrário. A promessa de que a certificação resolverá tudo parece otimista demais para um país onde a fiscalização é historicamente falha.
Outro ponto crítico é a transferência de responsabilidade para o proprietário do veículo. Ao permitir alterações amplas, o projeto abre espaço para instalações mal feitas, produtos de baixa qualidade e interpretações flexíveis das normas técnicas. Na teoria, tudo deve seguir regras do Contran e certificação do Inmetro. Na prática, o risco é de banalização e aumento de irregularidades.
O discurso de modernização também ignora que fabricantes projetam faróis completos, não apenas lâmpadas. Substituir apenas a fonte de luz sem considerar o conjunto pode comprometer o desempenho e a segurança do veículo. Ou seja, o que parece inovação pode virar improviso.







