Brasília — A dívida pública brasileira atingiu a marca histórica de R$ 10 trilhões, um patamar recorde que escancara a fragilidade das contas do governo federal. O volume equivale a aproximadamente 78% do PIB, segundo dados oficiais, e reforça o alerta de economistas sobre o ritmo acelerado de crescimento do endividamento durante o atual governo.
Mesmo diante desse cenário preocupante, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, adotou um discurso político ao comentar a situação fiscal. Segundo ele, é preciso “valorizar” o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que foi “muito difícil chegar até este ponto”, numa tentativa de justificar o atual estágio da economia e minimizar as críticas à condução fiscal.
A fala ocorre em meio a um ambiente de forte desconfiança do mercado, juros elevados, aumento da carga tributária e dificuldade do governo em conter gastos. Ainda assim, Haddad insiste que parte das críticas faz parte de uma chamada “guerra de narrativas”, que deve se intensificar com a aproximação das eleições de 2026.
Nos bastidores, a equipe econômica admite que o próximo ano será especialmente difícil. O próprio ministro já sinalizou que o governo enfrentará obstáculos para fechar as contas públicas, recorrendo a medidas de aumento de arrecadação e negociações com o Congresso Nacional para evitar um descontrole ainda maior da dívida.
Especialistas, porém, alertam que o problema vai além da narrativa política. O crescimento da dívida está diretamente ligado à expansão dos gastos públicos, à falta de cortes estruturais e à dependência cada vez maior de impostos para sustentar o orçamento. O resultado é uma pressão contínua sobre juros, inflação e crescimento econômico.
Com a dívida em nível recorde, o discurso de exaltação política contrasta com a realidade enfrentada por contribuintes, empresas e investidores, que veem no avanço do endividamento um risco concreto para o futuro fiscal do país.







