Pequim defende relações legítimas e acusa Washington de mentalidade de Guerra Fria.
O governo chinês repudiou veementemente as acusações de políticos norte-americanos de que estaria “intimidando, pressionando e interferindo” em nações da América Central. Em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (26), Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, enfatizou que Washington não deve se intrometer nos laços diplomáticos e comerciais legítimos que a China mantém com a região. Ele ressaltou que essas relações são fundamentadas no respeito à soberania, cooperação mútua e benefícios compartilhados.
Guo classificou as declarações dos Estados Unidos como “mentiras e falácias completas”, atribuindo-as a preconceitos ideológicos e a uma mentalidade de Guerra Fria. O porta-voz destacou que a atuação chinesa é transparente e inclusiva, com projetos focados em áreas como infraestrutura, energia, educação e indústria, sem qualquer intromissão nos assuntos internos dos países parceiros. “Esperamos que cessem a manipulação de questões relacionadas à China e façam mais para promover o desenvolvimento e a prosperidade da região”, pontuou.
Essa réplica chinesa ocorre em um cenário de crescente presença de Pequim na América Central e após a divulgação da nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, que reafirma o foco no Hemisfério Ocidental e classifica a China como um desafio estratégico. Recentemente, uma comitiva do Congresso estadunidense, liderada por John Moolenaar, visitou Panamá, Guatemala e El Salvador com o objetivo declarado de contrapor a influência chinesa e monitorar setores estratégicos como portos e infraestrutura crítica. A China tem ampliado significativamente seus investimentos na região, estabelecendo relações diplomáticas com o Panamá em 2017 e investindo em países como Costa Rica, Guatemala, Nicarágua, Honduras, El Salvador e Belize.







