O assessor especial da Presidência da República, Celso Amorim, criticou a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras a partir de junho. A medida foi anunciada pelo governo do presidente Donald Trump e gerou reação imediata do Palácio do Planalto.
Segundo Amorim, equiparar facções criminosas ao terrorismo internacional não contribui de forma prática para o combate ao crime organizado e pode abrir espaço para interpretações que afetem a soberania brasileira. O ex-chanceler afirmou que a cooperação internacional é importante em áreas como combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas, mas alertou que qualquer tentativa de utilizar o tema como justificativa para intervenções externas seria inaceitável.
A decisão norte-americana ocorre em meio ao endurecimento da política de segurança dos EUA contra organizações criminosas internacionais. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que PCC e Comando Vermelho estão entre as organizações criminosas mais violentas da América Latina e que suas redes já alcançam diversos países, incluindo os Estados Unidos.
O tema também ganhou repercussão política no Brasil. Enquanto setores da oposição defendem a classificação das facções como grupos terroristas, integrantes do governo federal demonstram preocupação com possíveis consequências diplomáticas e jurídicas da medida. Especialistas apontam que a decisão pode ampliar sanções financeiras contra integrantes e colaboradores dessas organizações, além de aumentar a pressão internacional sobre o combate ao crime organizado no país.







