Desde a regulamentação das casas de apostas online pelo governo federal, donos de supermercados em diferentes regiões do país afirmam perceber uma mudança preocupante no comportamento de consumo. Segundo comerciantes, parte dos clientes tem reduzido a compra de itens básicos, enquanto cresce o volume de dinheiro destinado a jogos de azar online, especialmente plataformas populares como o chamado “Tigrinho”.
Empresários do setor relatam queda nas vendas de produtos essenciais e aumento da inadimplência em compras parceladas, o que, na avaliação deles, indica que o orçamento familiar está sendo pressionado por gastos considerados supérfluos. A crítica recorrente é que a regulamentação, ao invés de limitar os impactos sociais das apostas, acabou dando maior sensação de segurança e legitimidade ao hábito, incentivando ainda mais a adesão.
Especialistas alertam que o avanço das apostas digitais pode agravar problemas financeiros entre famílias de baixa renda, que passam a enxergar o jogo como alternativa rápida para complementar a renda. Na prática, porém, o resultado costuma ser o oposto, com perda de recursos que antes eram destinados a alimentação e despesas básicas.
Para críticos da medida, o governo falhou ao priorizar a arrecadação de impostos gerada pelas bets sem estabelecer mecanismos eficazes de proteção ao consumidor. Enquanto o setor de apostas cresce rapidamente, comerciantes tradicionais afirmam sentir os efeitos diretos no caixa, levantando o debate sobre os limites da regulamentação e seus impactos reais na economia do dia a dia.







