A viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos voltou a movimentar o cenário político brasileiro nesta semana. O senador e pré-candidato à Presidência se reuniu com o presidente Donald Trump e integrantes do governo norte-americano em meio ao anúncio da classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras pelos Estados Unidos.
Após a decisão, Flávio comemorou publicamente a medida e afirmou que o combate ao crime organizado precisa ser tratado com mais rigor. O senador também aproveitou para criticar o governo Lula, alegando que o Brasil tem sido leniente diante do avanço das facções criminosas. A aproximação com Trump reforçou a imagem internacional da pré-campanha de Flávio entre setores conservadores, que enxergam na parceria um ativo político para a disputa presidencial de 2026.
Do outro lado, o governo federal reagiu com preocupação. O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Celso Amorim, declarou que as facções criminosas são um problema grave, mas afirmou que classificá-las como organizações terroristas pode abrir espaço para interpretações que afetem a soberania nacional. Segundo ele, qualquer tentativa de utilizar o tema como justificativa para intervenção externa seria “inaceitável”.
A decisão dos EUA provocou forte repercussão política em Brasília. Parlamentares governistas acusaram aliados de Flávio de incentivar interferência estrangeira em assuntos internos do Brasil, enquanto apoiadores do senador argumentam que a medida representa um reconhecimento internacional da gravidade da atuação do PCC e do CV.
Nos bastidores, a segurança pública volta a ganhar força como um dos principais temas da corrida presidencial. O avanço das facções criminosas, o tráfico internacional de drogas e a pressão por medidas mais duras contra o crime organizado devem dominar parte importante do debate eleitoral nos próximos meses.







