“Não faço muitas compras lá mesmo”
A declaração do vice-presidente Geraldo Alckmin de que não é “a favor nem contra” a chamada taxa das blusinhas expõe um dos principais problemas da condução econômica atual: a dificuldade de assumir posições claras em temas que impactam diretamente o bolso da população. Em um cenário de aumento do custo de vida, a neutralidade diante de um imposto que atinge principalmente consumidores de baixa renda soa, para muitos, mais como evasão do que prudência.
A taxação de compras internacionais de até US$ 50 se tornou símbolo de um embate dentro do próprio governo, dividido entre proteger o varejo nacional e evitar desgaste com a população. Ao não se posicionar, Alckmin tenta equilibrar interesses, mas acaba reforçando a percepção de falta de direção. Para críticos, não há espaço para “ficar em cima do muro” quando se trata de tributar consumo popular — ou a medida é necessária e deve ser defendida, ou é prejudicial e precisa ser revista. A ambiguidade, nesse caso, apenas alimenta a insegurança e amplia a desconfiança sobre as prioridades econômicas do governo.







