Viralizou nas redes sociais um vídeo publicado pelo Subtenente da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), conhecido como batatadamadsen, comentando a agressão sofrida por duas jovens em uma comunidade dominada pelo tráfico. Nas imagens que circulam na internet, as mulheres aparecem sendo humilhadas após supostamente cometerem um “vacilo” dentro das regras impostas pela facção criminosa.
Durante a gravação, o policial faz um forte desabafo sobre a glamourização da vida no crime e critica jovens que enxergam criminosos como símbolos de poder e status social.
“E você vai perguntar a elas, elas dizem o seguinte: ‘Eu gosto é de bandido, eu quero é ficar com bandido’. Sabe por quê? Porque dentro da comunidade elas são tidas como as chefonas”, afirmou.
Segundo ele, muitas dessas mulheres passam a desrespeitar moradores da própria comunidade ao se relacionarem com integrantes armados das facções.
“Elas ficam esculachando os moradores, apontam o dedo na cara e mandam sentar e calar a boca”, disse o policial.
O vídeo também aborda o chamado “tribunal do crime”, sistema ilegal usado por organizações criminosas para aplicar punições contra quem descumpre ordens internas. Segundo o subtenente, quando essas mulheres cometem algum erro, a mesma estrutura criminosa que antes lhes dava sensação de poder passa a aplicar punições violentas.
“Quando simplesmente cometem um vacilo, uma fofoca ou coisa parecida, qualquer moleque da favela vai lá e passa o rodo”, declarou.
Ele ainda afirmou que os chamados “corretivos” podem variar de humilhações públicas até agressões físicas severas e até mortes.
“Os corretivos são muito piores. São pauladas e outros castigos maiores que podem chegar até a morte”, completou.
Outro ponto destacado no vídeo foi a normalização dessas práticas dentro de algumas comunidades. O policial criticou moradores que acabam justificando a violência aplicada pelas facções.
“Tem gente que aceita isso e diz: ‘Ah, mas elas deram mole’. Essa aceitação social é o que dói”, afirmou.
Ao final da gravação, batatadamadsen também comparou a ilusão do dinheiro fácil do crime com a realidade de trabalhadores comuns, defendendo profissões honestas e criticando a falsa sensação de status criada pelo tráfico.
A repercussão do vídeo reacendeu debates nas redes sociais sobre segurança pública, influência cultural do crime organizado nas periferias e os impactos da glamourização do tráfico entre jovens em situação de vulnerabilidade.







