O ex-gerente da Petrobras Roberto Gonçalves, que havia sido condenado à prisão por recebimento de propina das empreiteiras Odebrecht e UTC, voltou ao centro do debate público após conseguir recuperar R$ 26,5 milhões que estavam bloqueados em uma conta na Suíça.
A liberação do dinheiro ocorreu após decisão do ministro Dias Toffoli, do STF, que anulou processos da Operação Lava Jato. Com a anulação, Gonçalves foi solto e teve os valores devolvidos.
O caso chama atenção não apenas pelo montante, mas pela origem e localização do dinheiro. Afinal, é normal um gerente de estatal brasileira manter milhões em uma conta na Suíça? Para quê? Em que circunstâncias esse dinheiro foi parar fora do país?
Os R$ 26,5 milhões, agora desbloqueados, haviam sido apreendidos justamente no contexto das investigações que apontavam pagamentos ilícitos ligados a contratos da Petrobras. Com a invalidação dos processos, o Estado brasileiro não apenas deixou de puni-lo, como devolveu integralmente os valores.
Na prática, a decisão gera uma percepção incômoda para parte da sociedade: valores associados a esquemas de corrupção retornam aos investigados, enquanto os prejuízos causados à Petrobras e aos cofres públicos nunca foram ressarcidos.
O episódio reforça críticas à anulação em série de processos da Lava Jato e alimenta uma pergunta que segue sem resposta clara: se não era propina, o que justificava R$ 26,5 milhões de um gerente da Petrobras em uma conta suíça?







