O Brasil passa por uma mudança profunda no comportamento afetivo: quase metade da população adulta vive solteira, superando o número de pessoas casadas ou em uniões estáveis. São dezenas de milhões que optam — ou acabam — vivendo sem compromisso formal, revelando uma transformação silenciosa no modo como as relações se formam.
Esse cenário também aparece dentro das casas. O número de lares com apenas uma pessoa nunca foi tão alto, alcançando quase um quinto de todos os domicílios do país. Em apenas uma década, morar sozinho deixou de ser exceção para se tornar parte do novo normal brasileiro.
Especialistas apontam que, mesmo com aplicativos de namoro e redes sociais facilitando encontros, eles também tornaram as relações mais rasas. O excesso de opções, o medo de perder oportunidades e a comparação constante acabam reduzindo o interesse por vínculos duradouros. As pessoas se conectam mais, mas se comprometem menos.
Pesquisas mostram ainda que solteiros tendem a relatar menor satisfação emocional e sexual do que quem está em um relacionamento. Ainda assim, muitos afirmam que preferem permanecer solteiros por autonomia, liberdade e independência. O país caminha, assim, para um novo modelo afetivo, onde o amor existe — mas é mais rápido, mais frágil e menos duradouro.







