O Brasil registrou um novo recorde de mortes decorrentes de intervenções policiais em 2025. Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), 6.602 pessoas morreram em ações das forças de segurança ao longo do ano, o maior número da série histórica iniciada em 2016. A média equivale a 18 mortes por dia, ou uma pessoa morta a cada cerca de 80 minutos.
O levantamento mostra que a letalidade policial cresceu 5,4% em relação a 2024, enquanto os homicídios dolosos recuaram cerca de 10% no mesmo período. Com isso, as mortes provocadas por intervenções policiais passaram a representar 16,2% de todas as mortes violentas intencionais registradas no país, ou seja, aproximadamente uma em cada seis.
Entre os estados, o Amapá apresentou a maior taxa proporcional de letalidade policial pelo sétimo ano consecutivo. Já a Bahia registrou o maior número absoluto de mortes em intervenções policiais, com 1.570 casos em 2025. Rondônia teve o maior crescimento percentual em relação ao ano anterior.
O relatório também aponta que a maior parte das vítimas era composta por homens jovens e negros. Segundo os dados, 82% dos mortos eram pessoas negras e quase metade tinha entre 20 e 29 anos. O estudo afirma que esse perfil permanece praticamente inalterado ao longo dos últimos anos.
Especialistas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública afirmam que o aumento da letalidade policial contrasta com a tendência geral de redução da violência letal no país e defendem o fortalecimento de mecanismos de controle sobre o uso da força, além da ampliação de políticas de transparência e fiscalização das ações policiais. Por outro lado, secretarias estaduais de Segurança argumentam que as operações têm como foco o combate às facções criminosas e destacam investimentos em inteligência, equipamentos e treinamento das forças de segurança.
Fonte: 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado em julho de 2026.



