O deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável por mobilizar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas redes sociais, voltou ao centro de uma polêmica envolvendo acusações feitas por sua ex-companheira, Leandra Guedes, prefeita de Ituiutaba, em Minas Gerais.
O caso ganhou repercussão em abril de 2025, quando veio a público que Leandra havia conseguido uma medida protetiva contra o parlamentar, com base na Lei Maria da Penha. Ela o acusou de ameaças, perseguição e suposta divulgação não autorizada de imagens íntimas.
Segundo a denúncia apresentada à Justiça, Janones teria utilizado fotografias íntimas como forma de pressionar a ex-companheira. A Justiça mineira identificou indícios de possível violência psicológica e moral e determinou restrições de contato e aproximação. A concessão da medida protetiva, porém, não equivale a uma condenação criminal.
Janones negou ter praticado os atos e afirmou ter sido vítima de uma armação. O parlamentar também declarou que Leandra não havia mentido, mas que teria recebido informações que a levaram a acreditar nas acusações.
Além desse episódio, Janones esteve envolvido na investigação sobre a chamada “rachadinha” em seu gabinete. Em março de 2025, o Supremo Tribunal Federal homologou um acordo de não persecução penal no qual o deputado admitiu a prática e assumiu o compromisso de pagar R$ 157,8 mil. O acordo não corresponde a uma condenação judicial.
Agora, em plena disputa presidencial de 2026, Janones ganhou protagonismo na campanha digital de Lula por meio do chamado “Exército do Lula”, que mobiliza apoiadores para realizar publicações coordenadas nas redes sociais.
A situação reacendeu questionamentos sobre a coerência de lideranças políticas que defendem o combate à violência contra a mulher e à corrupção, mas mantêm alianças com figuras envolvidas em denúncias e investigações dessa natureza.
O debate também expõe uma questão que ultrapassa as diferenças partidárias: denúncias de violência contra mulheres devem ser tratadas com seriedade, independentemente do posicionamento político dos envolvidos. Da mesma forma, é necessário respeitar o direito de defesa e distinguir acusações, medidas judiciais e condenações.







