Uma publicação sobre a situação econômica de Cuba provocou discussão nas redes sociais após um perfil identificado como apoiador do PT elogiar a resistência do país diante das dificuldades para importar combustíveis.
“Cuba é o único país do mundo que, após 7 meses sem importar combustível, ainda está de pé!”, afirmou o autor da publicação.
A declaração recebeu uma resposta irônica de outro internauta: “Claro, quase 90% da população não tem carro e anda a pé”. O comentário rapidamente transformou a discussão em um debate sobre o baixo acesso dos cubanos a automóveis particulares e as dificuldades enfrentadas pelo sistema de transporte do país.
Apesar da repercussão, o percentual de “quase 90%” citado pelo internauta não deve ser interpretado como uma estatística comprovando que essa parcela da população se desloca exclusivamente a pé. Cuba realmente possui uma taxa muito baixa de automóveis particulares por habitante, mas quem não tem carro utiliza diferentes meios de transporte, como ônibus, táxis coletivos, bicicletas, motocicletas e veículos elétricos, além de realizar trajetos a pé.
A situação dos combustíveis, por sua vez, tornou-se um dos principais problemas da economia cubana. A ilha depende de importações para atender parte relevante de suas necessidades energéticas e vem enfrentando escassez, apagões e dificuldades no transporte público.
A crise levou o governo cubano a adotar medidas de contingenciamento e também impulsionou alternativas como motocicletas e bicicletas elétricas. Longas filas em postos de combustíveis e limitações na circulação de ônibus têm sido registradas nos últimos anos.
Também é necessário cautela com a afirmação de que Cuba teria passado exatamente “sete meses sem importar combustível”. A frase publicada nas redes sociais, sem especificar período, tipo de combustível ou fonte dos dados, não é suficiente para estabelecer que o país tenha ficado literalmente sete meses sem qualquer importação.
O embate viraliza justamente por apresentar duas leituras opostas da situação cubana: de um lado, a resistência do país diante das restrições energéticas; do outro, críticas às condições econômicas e ao baixo acesso da população a veículos particulares.
Fontes: Reuters, Banco Mundial e informações oficiais do governo cubano.







