Uma prática discutida por jovens nas redes sociais vem chamando atenção em meio ao avanço do endividamento no país: contratar empréstimos antes de se mudar para o exterior e deixar de pagar a dívida no Brasil.
Não encontrei, porém, dados que permitam afirmar que isso já seja uma “nova tendência” comprovada ou que esteja preocupando especificamente os bancos. O que existe são diversos relatos e discussões públicas sobre a ideia. Em março de 2026, por exemplo, uma publicação no Reddit perguntava sobre pegar cerca de R$ 70 mil em diferentes instituições antes de deixar o Brasil e posteriormente tentar renegociar a dívida. Discussões semelhantes aparecem na plataforma desde pelo menos 2023.
O fenômeno aparece em um cenário mais amplo de crescimento do endividamento entre brasileiros mais novos. Dados do Banco Central mostram que o número de jovens de 15 a 29 anos com acesso ao crédito passou de 13,7 milhões em 2016 para 27,6 milhões em 2024. Em 2026, levantamento citado pela Folha apontou ainda 9,3 milhões de brasileiros entre 18 e 25 anos negativados.
Sair do Brasil, contudo, não apaga uma dívida. A obrigação contratual continua existindo e pode ser cobrada de acordo com a legislação aplicável. Além disso, contratar crédito deliberadamente já pretendendo não cumprir o contrato pode gerar uma discussão jurídica diferente da simples inadimplência decorrente de dificuldades financeiras.
Nas próprias redes, enquanto alguns usuários tratam a ideia como brincadeira ou uma maneira de financiar a mudança para outro país, outros alertam para as consequências financeiras. Curiosamente, os dados também mostram movimento na direção oposta: jovens estão entre os que mais procuram renegociar e quitar suas pendências. A Serasa registrou aumento de 49% nas negociações realizadas por consumidores de 18 a 25 anos em 2025.
Assim, há evidências de que a ideia circula e vem sendo discutida na internet, mas, até o momento, não encontrei levantamento confiável demonstrando que abandonar empréstimos ao emigrar tenha se tornado uma tendência estatisticamente relevante entre jovens brasileiros ou uma preocupação formal anunciada pelo setor bancário.







