O rapper Marcelo D2 reacendeu o debate sobre os rumos do rap brasileiro ao afirmar que parte da cena perdeu sua identidade ao se aproximar demais de governos e estruturas de poder. Em uma reflexão sobre sua trajetória e sobre o momento atual do gênero, o artista disse sentir que o rap, antes marcado pela contestação e pela crítica social, “foi engolido pelo sistema”.
Segundo D2, a força do rap sempre esteve em seu caráter de resistência, autenticidade e enfrentamento das desigualdades. Para ele, quando artistas passam a atuar alinhados ao governo ou a agendas institucionais, tendem a suavizar discursos e abandonar a postura que historicamente deu sentido ao movimento hip-hop no país.
O rapper afirmou: “Sinto muita falta do rap, que foi engolido pelo sistema e virou outra coisa”, destacando que a profissionalização do setor, as parcerias comerciais e a relação com projetos políticos acabaram modificando a essência do gênero. D2 critica o que considera uma domesticação da arte urbana — uma transformação que, segundo ele, dilui a potência original das periferias e afasta o rap de suas raízes.
A fala do artista surge em um momento em que parte da classe cultural brasileira reforça apoio público ao governo federal, participando de eventos, campanhas e projetos oficiais. Para D2, esse alinhamento excessivo pode comprometer a autenticidade de quem sempre se apresentou como voz independente das ruas.
Ele também relembra que o rap nasceu como um espaço de denúncia, não como extensão de partidos ou governos. Por isso, alerta que a mistura entre arte e poder pode desfigurar o DNA contestador que tornou o gênero uma das principais expressões culturais do país.
A declaração repercutiu fortemente nas redes, dividindo opiniões dentro e fora da comunidade hip-hop. Enquanto alguns concordam com a crítica sobre perda de identidade, outros defendem que artistas têm o direito de se posicionar politicamente sem perder legitimidade.






