A postura de Marcos Palmeira gera um debate inevitável sobre coerência ideológica quando confrontamos seu histórico de apoio ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) com a gestão de sua Fazenda Vale das Palmeiras.
De um lado, o ator levanta a bandeira da democratização da terra e da reforma agrária; do outro, gere uma propriedade privada de 200 hectares em Teresópolis que opera sob uma lógica de exclusividade e lucro. Ao cobrar R$ 430 por pessoa para uma visita, Palmeira transforma a vivência agroecológica em um produto de luxo, acessível apenas a uma elite que pode pagar o equivalente a quase um terço de um salário mínimo por um único dia de passeio.
Essa mercantilização da natureza e do “estilo de vida sustentável” cria um abismo entre o discurso militante de justiça social e a prática de um negócio lucrativo que seleciona seus visitantes pelo poder aquisitivo.
Para muitos, a hipocrisia reside justamente no fato de o ator defender movimentos que questionam a propriedade privada e a concentração de terras, enquanto mantém sua porteira fechada para quem não tem capital, reforçando uma estrutura de privilégios que ele mesmo diz combater nos palcos e nas redes.
– jornal Extra







