Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, uma mulher de 62 anos foi resgatada após passar 55 anos trabalhando em condições análogas à escravidão em uma residência no Ceará. De acordo com a investigação do Ministério do Trabalho e Emprego, ela chegou à casa ainda criança, aos sete anos, e trabalhou por décadas sem salário regular, sem registro em carteira e sem acesso à educação formal. O caso é investigado pelas autoridades.
O episódio voltou a chamar atenção para o problema do trabalho análogo à escravidão no Brasil. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego e da Comissão Pastoral da Terra mostram que o Nordeste continua registrando um número expressivo de resgates, especialmente em atividades como mineração e extrativismo vegetal. Em 2025, estados como Bahia, Maranhão e Paraíba figuraram entre os que tiveram maior número de trabalhadores resgatados, embora Mato Grosso tenha liderado o país em número absoluto de pessoas libertadas.
A região Nordeste também concentra diversos municípios incluídos em cadastros de empregadores responsabilizados por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão, segundo levantamentos baseados em dados do Ministério do Trabalho e Emprego.
O Nordeste é historicamente um dos principais redutos eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, não há evidência de que a incidência de casos de trabalho escravo na região decorra da preferência eleitoral de seus estados. Especialistas apontam que fatores como pobreza, desigualdade social, informalidade e dificuldades de fiscalização ajudam a explicar a persistência desse tipo de crime.







