O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não se pronunciou publicamente sobre a declaração do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, de que o país não voltará a realizar eleições. O anúncio foi feito durante um evento em comemoração à Revolução Sandinista, quando Ortega afirmou que pretende impedir que partidos de oposição cheguem ao poder por meio do voto. A declaração foi interpretada por analistas internacionais como mais um passo na consolidação de um regime autoritário.
Lula e Ortega mantêm uma longa relação política, construída ao longo de décadas por meio da aproximação entre o Partido dos Trabalhadores (PT) e a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), partido comandado por Ortega. Ambos integraram fóruns de articulação da esquerda latino-americana e, em diferentes momentos, demonstraram apoio político mútuo. Em 2021, por exemplo, o PT divulgou uma nota parabenizando Ortega por sua reeleição, resultado que foi amplamente contestado por diversos governos e organizações internacionais devido à prisão e ao exílio de opositores antes da votação.
Apesar dessa proximidade histórica, a relação entre os dois líderes sofreu desgaste nos últimos anos. Em 2024, Ortega atacou Lula publicamente após o presidente brasileiro defender maior transparência nas eleições da Venezuela, chegando a chamá-lo de “corrupto”. A crise levou ao agravamento das relações diplomáticas entre Brasil e Nicarágua.
Mesmo após o anúncio de Ortega de que a Nicarágua deixará de realizar eleições, Lula ainda não fez uma manifestação pública sobre o assunto até o momento.







