Um episódio envolvendo um magistrado do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) ganhou enorme repercussão nas redes sociais após imagens mostrarem o juiz Milton Lívio Lemos Salles bebendo vinho diretamente de uma garrafa e fumando durante uma sessão de julgamento realizada por videoconferência.
O caso aconteceu na segunda-feira (10), durante uma sessão remota do 4º Núcleo de Justiça 4.0 – Cível Família. Nas imagens, o magistrado aparece diante da câmera virando uma garrafa de vinho. Em seguida, acende um cigarro com um maçarico e fuma durante a transmissão. A sessão acabou sendo interrompida quando a situação foi percebida. Ainda restavam três dos 15 processos previstos para julgamento.
A repercussão levou a Corregedoria-Geral de Justiça de Minas Gerais a determinar, nesta terça-feira (11), o afastamento imediato do magistrado e a abertura de uma sindicância para investigar sua conduta. A medida ainda deverá passar pela análise do Órgão Especial do TJMG. Os processos que estavam sob responsabilidade de Salles serão redistribuídos.
O caso também chegou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Segundo informações divulgadas nesta terça-feira, o corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, determinou a suspensão do magistrado de suas funções e seu afastamento das dependências e dos sistemas eletrônicos do tribunal.
Depois da divulgação das imagens, Salles publicou um vídeo afirmando ser vítima de “difamação”. Na gravação, também fez acusações contra integrantes do Judiciário, incluindo membros do TJMG, STJ e STF, além do ministro Alexandre de Moraes. Segundo a imprensa, o magistrado não apresentou provas para sustentar as acusações feitas no vídeo.
O episódio provocou uma onda de críticas e comentários nas redes sociais, especialmente por ter ocorrido durante um ato oficial em que processos judiciais estavam sendo analisados. Sessões realizadas por videoconferência são equiparadas aos atos presenciais e devem observar regras de comportamento e formalidade estabelecidas para a atividade judicial.
A expressão “Essa é a Justiça brasileira”, utilizada no título, representa uma crítica editorial diante do episódio e não significa que a conduta do magistrado represente o comportamento do Judiciário brasileiro como um todo.







