Uma reportagem que apresenta o Brasil como destino de “turismo médico” para americanos e destaca a possibilidade de estrangeiros recorrerem ao SUS em situações de emergência provocou críticas nas redes sociais.
A manchete afirma que americanos estariam vindo ao Brasil em busca de atendimento médico particular e que, em emergências, também poderiam utilizar a rede pública. A informação, porém, precisa ser colocada em perspectiva: estrangeiros presentes no Brasil podem, de fato, ser atendidos pelo SUS, mas isso é muito diferente de afirmar que americanos estejam viajando em massa ao país especificamente para utilizar UPAs, hospitais públicos ou serviços de emergência.
O chamado turismo médico normalmente está associado à procura por procedimentos particulares que podem custar menos no Brasil do que nos Estados Unidos, como tratamentos odontológicos, cirurgias plásticas e determinados procedimentos médicos. Nesse cenário, preço e câmbio podem tornar o atendimento privado brasileiro atraente para estrangeiros.
Já utilizar o SUS durante uma emergência ocorrida durante a estadia é outra situação. Um turista que sofre um acidente, passa mal ou enfrenta algum problema de saúde enquanto está no país pode procurar atendimento público. Isso não significa necessariamente que o SUS tenha se tornado o motivo de sua viagem.
A forma como o assunto é apresentado também causa estranhamento para brasileiros que convivem diariamente com problemas conhecidos da rede pública, como espera por consultas especializadas, exames, cirurgias e episódios de superlotação em unidades de urgência.
Nas redes, a ironia apareceu justamente nesse ponto: se o SUS realmente estivesse se transformando em grande referência internacional para americanos, onde estariam as multidões de turistas dos Estados Unidos enfrentando as mesmas filas das UPAs 24 horas?
O Brasil possui hospitais, profissionais e serviços médicos reconhecidos internacionalmente, especialmente no setor privado, além de um sistema público de acesso universal. Mas transformar casos de estrangeiros que procuram tratamentos mais baratos no país em sinal de que americanos estariam escolhendo o SUS como destino médico pode misturar fenômenos diferentes e criar uma impressão maior do que os fatos permitem concluir.







