A nova proposta que vem sendo discutida internacionalmente, e que já começa a gerar debate no Brasil, levanta um alerta: mais uma cobrança indireta que, no fim das contas, tende a cair no bolso do consumidor. A medida, apelidada por muitos de “imposto da garrafa”, prevê a cobrança de um valor adicional por embalagens como latas, garrafas plásticas e recipientes de bebidas.
Na prática, o modelo não é exatamente um imposto tradicional, mas sim um sistema de depósito reembolsável. Ou seja, o consumidor paga um valor extra ao comprar a bebida e só recebe de volta se devolver a embalagem. Países europeus, como a Espanha, estão implementando esse sistema para tentar aumentar a reciclagem, já que não atingiram metas ambientais exigidas.
Apesar da justificativa ambiental, a crítica é inevitável: na vida real, nem todo mundo vai devolver embalagem. Isso transforma o que seria um “depósito” em uma cobrança definitiva para grande parte da população. Além disso, cria mais burocracia para bares e restaurantes, que precisarão se adaptar a novas regras, sistemas de controle e logística de devolução.
Outro ponto que incomoda é o efeito acumulativo. O setor de alimentação já enfrenta mudanças com a reforma tributária, que pode elevar a carga e a complexidade dos impostos sobre consumo, especialmente em bebidas. Agora, adicionar mais uma cobrança — ainda que com outro nome — reforça a sensação de que o custo de tudo continua subindo.
Fonte: Estado de Minas







