A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, atribuiu ao governo de Jair Bolsonaro a responsabilidade pelas fraudes bilionárias envolvendo descontos indevidos em benefícios do INSS, mas afirmou que não vê necessidade de instaurar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para apurar o caso. A posição gerou críticas no Congresso, especialmente da oposição, que defende uma investigação ampla e independente.
Segundo Gleisi, os esquemas teriam sido estruturados durante a gestão anterior, quando faltou fiscalização e controle sobre entidades que passaram a realizar cobranças irregulares de aposentados e pensionistas. Para a ministra, as investigações já conduzidas por órgãos como a Polícia Federal seriam suficientes para identificar os responsáveis, tornando uma CPMI desnecessária e potencialmente prejudicial ao andamento das apurações.
Críticos, no entanto, apontam contradição no discurso do governo. Embora responsabilize a administração passada, o Planalto atua para frear uma investigação parlamentar que poderia esclarecer de forma transparente quando as fraudes começaram, quem se beneficiou e por que o esquema continuou operando por tanto tempo. Parlamentares da oposição afirmam que a resistência à CPMI reforça a percepção de que há interesse político em limitar o alcance das investigações.
O caso do INSS envolve milhões de aposentados e pensionistas, muitos deles idosos, que tiveram valores descontados sem autorização. Diante da dimensão do escândalo, a recusa em apoiar uma CPMI tem sido vista como um sinal de incoerência entre o discurso de combate às irregularidades e a prática política adotada pelo governo.







