A fila de espera por benefícios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) voltou a crescer e já se aproxima de 3 milhões de pedidos pendentes. O número representa um aumento expressivo em relação ao início do atual governo e envolve requerimentos de aposentadorias, pensões, auxílios por incapacidade, Benefício de Prestação Continuada (BPC), salário-maternidade e perícias médicas.
Entre os principais gargalos está a demora nas perícias médicas, etapa obrigatória para a concessão de diversos benefícios. A falta de profissionais e a burocracia interna têm ampliado o tempo de espera, deixando milhares de segurados sem renda por meses — e, em muitos casos, por anos.
A situação é especialmente grave entre os idosos, que dependem da aposentadoria ou do BPC para sobreviver. Há relatos recorrentes de pessoas que falecem antes mesmo de terem seus pedidos analisados, após uma vida inteira de contribuição ao sistema previdenciário. Famílias acabam arcando com despesas básicas enquanto aguardam uma resposta que nunca chega.
Durante a campanha presidencial, o governo havia prometido acabar com a chamada “fila vergonhosa” do INSS. Na prática, porém, os dados indicam o movimento contrário, com o estoque de pedidos mais do que dobrando desde 2023.
O governo atribui o aumento da fila ao envelhecimento da população, à ampliação do acesso aos benefícios e à complexidade dos processos. Ainda assim, críticos apontam falhas de gestão, falta de investimento em estrutura e ausência de soluções efetivas para um problema que afeta diretamente os brasileiros mais vulneráveis.
O crescimento da fila do INSS expõe uma crise silenciosa: milhões aguardam um direito básico enquanto o tempo passa — e, para muitos, passa rápido demais.







