Uma nova tendência inusitada tomou conta de diversas cidades alemãs: grupos de pessoas de esquerda estão aderindo ao hábito de passear cães invisíveis pelas ruas, segurando coleiras vazias e simulando a presença de um animal que, na verdade, não existe. A prática já ganhou nome: Hobby Dogging.
Um passeio sem cachorro — mas cheio de rituais
Os adeptos realizam todos os gestos típicos de quem passeia com um pet. Eles param para “deixar o cachorro farejar”, dão comandos como “senta” e “vem”, puxam levemente a guia imaginária e até fazem pausas para “adestrar” seus animais invisíveis.
Alguns grupos organizam encontros em parques, criando pequenas rotinas com obstáculos, cones e exercícios — tudo voltado exclusivamente para seus companheiros imaginários.
Motivações: terapia, fuga da realidade e militância comportamental
Entre os praticantes, muitos afirmam que o ritual funciona como uma forma de aliviar ansiedade, reduzir estresse e preencher a sensação de solidão cada vez mais comum nos grandes centros urbanos.
Há também quem encare a atividade como uma espécie de performance política: uma crítica simbólica ao consumismo associado aos pets, à dependência emocional da sociedade moderna e às pressões da vida urbana. Para esse grupo, o ato de passear um “cão invisível” funciona como expressão da liberdade individual — algo frequentemente discutido em círculos progressistas.
Reações divididas
A popularização do fenômeno gerou polêmica. Enquanto simpatizantes da esquerda veem humor, arte e até utilidade terapêutica, muitos alemães consideram a moda absurda, infantil ou simplesmente bizarra. O contraste acabou intensificando o debate sobre limites entre expressão pessoal, saúde mental e comportamento social.
Antecedentes e o lado lúdico
A prática lembra modas anteriores na Europa, como o Hobby Horsing, em que pessoas simulavam cavalgar usando cavalos de pau. Assim como naquele caso, críticos afirmam que a nova tendência evidencia uma sociedade cada vez mais desconectada da realidade tangível e mais inclinada à fantasia como válvula de escape.
Um espelho da sociedade atual
Embora cômico à primeira vista, o fenômeno levanta reflexões:
O aumento da solidão urbana; A busca por expressões alternativas de identidade; A expansão de subculturas ligadas à esquerda; E a normalização de comportamentos performáticos como forma de lidar com frustrações.
Na Alemanha, o Hobby Dogging pode ou não durar, mas já deixou claro que tendências inesperadas podem ganhar força rapidamente — especialmente em grupos que veem no incomum uma forma de afirmação política, emocional ou artística.







