Uma grave acusação de armação política contra o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro, ganhou repercussão após o depoimento de um comerciante à Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados.
Luiz Antônio Lopes afirmou ter recebido R$ 16,5 mil, divididos em três transferências bancárias, para repassar a uma mulher que, segundo seu relato, seria apresentada como vítima de Alfredo Gaspar. O comerciante declarou ainda que ela utilizaria uma identidade falsa para sustentar a acusação. O relato foi repercutido por diferentes veículos de imprensa.
O caso chama ainda mais atenção porque a acusação original contra Gaspar era de estupro de vulnerável e havia sido levada às autoridades pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke. Gaspar sempre negou a acusação.
No novo depoimento, Lopes também afirmou ter participado de uma reunião virtual na qual Lindbergh estaria presente. Segundo o comerciante, a suposta trama teria sido discutida nesse encontro. Até agora, entretanto, não foi apresentada publicamente gravação dessa reunião que comprove a participação do parlamentar.
Lindbergh nega categoricamente qualquer envolvimento e acionou o Supremo Tribunal Federal para pedir a suspensão e a nulidade do procedimento da Polícia Legislativa. O deputado também pediu a apuração de eventual falso testemunho e sustenta que as declarações de Lopes são falsas.
A revelação também levanta questionamentos sobre a repercussão dada ao caso. Enquanto a acusação original contra Alfredo Gaspar circulou amplamente no debate político, agora surge uma versão segundo a qual a própria denúncia teria sido fabricada.
Até o momento desta publicação, nas buscas realizadas, não foi localizada checagem das principais agências brasileiras de verificação de fatos — como Aos Fatos, Lupa, Estadão Verifica ou Fato ou Fake — classificando como falsa a notícia sobre a existência desse novo depoimento e das acusações feitas pelo comerciante. Isso, porém, não significa que o conteúdo do depoimento esteja comprovado: uma agência não ter publicado um desmentido não transforma uma alegação em fato.
O próprio caso já chegou à imprensa de maior alcance. A Folha de S.Paulo publicou reportagem sobre o envio do depoimento ao STF, destacando tanto as acusações contra Lindbergh quanto a negativa do petista.
Agora, a questão central é saber se as alegações de Lopes serão sustentadas por provas, incluindo registros bancários, mensagens e outros elementos capazes de demonstrar quem realizou os pagamentos e qual teria sido sua finalidade. Até que essa apuração seja concluída, a suposta fabricação da denúncia deve ser apresentada jornalisticamente como acusação sob investigação, e não como fato definitivamente comprovado.







